Pressinto que as opiniões, indignações e críticas que vou apresentar neste conjunto de quatro artigos, suscitarão em muitos são-tomenses, até mesmo nos mais esclarecidos, certa dose de ansiedade e algum desconforto. Tenho consciência de quão difícil é para qualquer um de nós, pessoas normais, encarar a verdade – quão amarga ela é; qual golpe de dor ela desfere ao íntimo; qual valente e altruísta precisa-se ser para se ceder o lugar, que sempre se ocupou na esteira da mentira que nos envolve, a esta desconhecida e ousada entidade. Em face disto e na posse do entendimento de que não é menos verdadeiro, nem menos digno de uma grande virtude, reconhecer a dificuldade que tem o percurso de alguém que ruma à verdade, tendo ao mesmo tempo a preocupação de agradar a gregos e a troianos, sigo o propósito de apenas expor as minhas análises e observações, e confrontá-las com as dos outros intelectuais são-tomenses. Sei o preço a pagar por esta difícil, mas inevitável opção, que encontrará muitas antipatias e resultará em igual dose de inimizades. Parafraseando algumas mentes brilhantes: “A discórdia é bem-vinda porque através dela se consegue chegar a um consenso!”
O texto que se segue é o primeiro da colecção VUGUVUGU: VUGUVUGU I (Xinboto), VUGUVUGU II (Plejidu), VUGUVUGU III (Mufinu) e VUGUVUGU IV (Txonzu)
VUGUVUGU I (Xinboto)
Ingratos, Cobardes, Infiéis e Traidores
O homem são-tomense tornou-se xinboto. E não sou eu, FodeBudu, que o digo, é a sociedade que o diz; são as mulheres, as nossas belas mulheres, que o dizem; são os seus próximos que o dizem, menosprezando-o; são os adversários que facilmente o vencem em todos os desafios, humilhando-o. Mas nos tempos idos, era o mais querido e valente dentre os machos, um verdadeiro varão, apreciado pelo sexo oposto, invejado pelo próximo e temido pelos inimigos. Há muitos anos atrás... e havia boas razões: SABEDORIA ANCESTRAL E CONSCIENCIA NACIONAL. Outrora, eram os mais velhos que transmitiam os seus saberes e experiências às novas gerações, ensinando-as os segredos do mundo, as técnicas de sobrevivência neste espaço hostil em que vivemos. Não havia livros; não havia jornais; não havia televisão; mas havia VONTADE. E isso era o suficiente, porque o essencial era transmitido, e o são-tomense era um homem BOM + ORGULHOSO das suas virtudes + AMANTE da sua terra + a sua cultura + os seus valores. Xinboto é um adjectivo cruel para qualificar um homem. Ele indica que o sujeito em causa é desprovido das qualidades mais apreciáveis: não tem charme; não sabe dançar; é desajeitado; é burro; é pateta; é cobarde, etc., etc. E isto é o culminar de uma série de pecados que ele vem cometendo e aos poucos vão definhando e reduzindo-o à condição de lixohumano.Mas que pecados podem tornar um homem xinboto? E porque é que são tão graves? Como é que operam essa metamorfose?
Embora a lista seja enorme, dos pecados que degradam a condição de um cidadão ao ponto de o tornar xinboto, destacam-se quatro: ingratidão, cobardia, infidelidade e traição. Para ser mais directo, a ingratidão é a qualidade de alguém que cospe no prato em que comeu; que não reconhece um bem ou favor recebido; que não agradece ou é mal-agradecido. Isto é característico do forro moderno. Basta reparar na maneira como trata as suas esposas ou namoradas: por mais amor que elas lhe prestem, ele agradece-as arranjando amantes e filhos bastardos. Basta reparar na maneira como trata os amigos: por mais sinceros e honestos que sejam, o forro acaba vivendo às suas custas, pedindo emprestando e nunca mais devolvendo, devendo e não pagando...Basta ver a maneira como tratam a Pátria: por mais que a terra lhes dê tudo: vida, comida, chuva, bolsas de estudo, etc., ele acaba abandonando-a, fugindo para outros sítios, jurando nunca mais regressar... Estes exemplos são suficientes para ilustrar a maneira como a ingratidão degrada um indivíduo: retira-o a dignidade, a confiança, o respeito, etc., e em troca devolve-lhe a falta de credibilidade, a falta de consideração, a falta de carisma...
A cobardia é a qualidade de alguém que tem medo de enfrentar os problemas e procurar vencê-los. Um cobarde não quer ouvir falar de dificuldades, da pobreza, da necessidade de se esforçar e de se conseguir tudo com o suor do próprio rosto. Ele foge a sete pés: é um medricas. Um cobarde não quer ouvir falar de amor, do casamento, de cuidar dos filhos, da esposa, do trabalho, da responsabilidade, da fidelidade...Ele assusta-se! Tem cócegas, é uma criança ainda. Não sabe conquistar uma mulher, quer presa fácil; usa o poder, a força, a chantagem para a conseguir...é um autêntico depravado! Um tarado! Um cobarde só quer catorzinhas, só pensa em catorzinhas, só sonha com catorzinhas. Mulher a sério intimida-o... é um violador de menores, um desencaminhador, um autêntico marginal, autêntico delinquente.
A infidelidade é a qualidade de quem não honra os compromissos (com o casamento, com o trabalho, com os amigos, com a Nação); é também a qualidade de quem não tem fé; é um descrente. Um infiel tanto não ama a sua esposa ou namorada com não ama a sua pátria, a sua família. Ele não ama ninguém, nada. É alguém em que não se pode confiar. Ser infiel é um meio caminho andado para ser traidor.
A traição é a acção de quem trai algo ou alguém: trai o parceiro; trai o Estado; trai os amigos; é capaz de trair até os próprios sonhos. O traidor é um tirano; ele vende a Pátria ao inimigo a troco de quase nada. É alguém que não tem rumo. Ser traidor não só é consequência de ser infiel, como também o é de ser cobarde.
Como consequência destes quatro abomináveis vícios, o forro é hoje considerado xinboto. As mulheres fogem-lhe por falta de amor, confiança e protecção, e vão juntar-se a estrangeiros, na expectativa de encontrarem nos estrangeiros tudo de homem que o forro perdeu. E há mais. O xinboto vem desenvolvendo muitas outras tendências malfazejas, fruto da leviandade do seu espírito, que o leva a aceitar influências nefastas vindas das trevas, importadas por governantes anormais, idiotas e piratas. A maioria dosforros traidores, ingratos, infiéis e cobardes têm uma impregnável e sinistra paixão pelos hábitos dos outros povos (por ex.: ouvir e dançar as músicas dos outros, falar como os outros falam e gostar do que os outros gostam), condenando e amaldiçoando as suas raízes, profanando a terra onde jazem os seus antepassados.
Quem no mundo quererá ouvir as nossas músicas, dançar como dançamos e gostar do que gostamos? Americanos? Nunca. Chineses? Jamais. Russos? Isso queríamos nós...Quem será? Ninguém, caros compatriotas. Ninguém.
Mas isto tem uma justificação: Os nossos xinbotos querem ser como os outros, porque os governantes daqueles países, não sendo xinbotos, reconhecem que as suas culturas, tradições e valores devem ser preservados e transmitidos para a sociedade, e que de outra forma, não teria sentido falar da sua existência como estados soberanos. Julgam-se no direito de mostrar os valores que têm, e por isso, “bombardeiam” o mundo inteiro com imagens que ostentam as suas bandeiras e os seus heróis, exibindo a sua fama, o seu domínio político, económico, etc.
Porque razão esses xinbotos vândalos da nossa terra não sentem qualquer apego pela cultura do seu país, pelo legado dos seus antepassados? Estive no Instituto Superior Politécnico (ISP), em São Tomé, e assisti a uma aula de danças de salão em que o assunto era a VALSA! O patife que ministrava a aula, é, pelo que saiba, o único professor da disciplina, um “desempregado político”, ex-candidato às presidenciais, ex-presidiário, ex-exilado político, ex-presidente do partido CODO, um ex-Tenente-Coronel na reserva, um inútil parasita renegado, um palerma, oportunista e sanguessuga desequilibrado... qual o patife que teve a malfadada e sacrílega ideia de abrir um curso de VALSA em São Tomé e Príncipe, num Instituto que se pretende Superior Politécnico! Porque não abrir um curso de “engenharia do cacau”? E porque não Ciências do Mar? Porque não Informática? Electrónica? Comércio? E mesmo em termos de danças, porque não um curso que incorporasse Socopé, Puita, Rumba, Uswa, Dexa...? Hão de dizer, como desculpa, que o país não tem dinheiro. Mas não é por isso. É pura e simplesmente um paradoxo!
Quanto ao desporto, falando particularmente do futebol, – seja o cobarde infiel que se encontra no exterior, seja um forro xinboto em STP – ninguém é um adepto ferrenho de clubes como Caixão-Grande, Trindade, Praia-Cruz, Riboque ou Santana. Mas, porque será? Quem serão então os adeptos dos clubes são-tomenses? Serão paquistaneses? Iranianos? Guineenses? Taiwaneses? Filipinos? Cubanos? Angolanos? Tailandeses?... Cabo-verdianos? Ninguém, simplesmente. Talvez ocorra nas nossas mentes que sejam apenas os pobres pescadores, vinhateiros, carpinteiros, professores, pedreiros, palayes e candongueiros! Estamos enganados, meus caros. Devemos todos apoiar os nossos clubes para que eles cresçam e se tornem reconhecidos. Fazem parte das coisas que nos identificam como povo soberano e veículos da nossa imagem.
O pior disso tudo é que os forros xinbotos – qual estafermos – são todos adeptos fanáticos de clubes estrangeiros tais como: Sporting, Manchester, Lyon, Benfica, Barcelona, Porto, Chelsea e Real Madrid, e também das longínquas selecções de países como Brasil, Argentina, França, Alemanha e Portugal. Serão estas as nossas imagens de marca? Quanta ingratidão! Quanta xinbotice! Com infinito desagrado, observo frequentemente certos otários, altos dirigentes da Nação, demonstrando publicamente orgulho de serem adeptos obstinados de clubes que não são do seu país. Esses xinbotos esbanjam somas avultadas de fundos públicos na divulgação, radiodifusão, transmissão televisiva, etc., de partidas em que participam clubes portugueses, essencialmente. O mais grave ainda é que o fazem usando meios de comunicação públicos! Essa devoção, porém, não é manifestada pelos seus homólogos europeus, nem sequer pelos clubes dos seus próprios países, o que é deixado à responsabilidade de cidadãos comuns e interesses privados. Eu não posso compreender isso. Não quero compreender. Por isso, deixo a seguinte mensagem: “Os meus pêsames pela perda irreparável da capacidade de raciocinar das mentes insanas desses abomináveis parasitas e imbecis pervertidos”.
Infelizmente, observei que muitos infiéis ordinários, amigos do hambúrguer e batatas inglesas, adoram pousar para a fotografia, no solo europeu, exibindo orgulhosamente imagens do suposto paraíso europeu em que se encontram, como forma de acentuar a diferença entre o inferno que é a sua terra natal e o paraíso em que se encontram. Por outro lado, quando vão de férias à santa terrinha, procuram colher o máximo de imagens de pobreza e degradação do seu país para mostrar ao mundo. Adoram mostrar que o seu país é muito pobre para que os outros que não tiveram igual sorte sintam inveja da vida miserável que levam na Europa, por um lado, e por outro, para que o europeu sinta pena dos que ficaram, chorando lágrimas de crocodilo: “Que pobrezinhos! Não têm sequer o que comer...” Não sei por que raio esses cornudos malfeitores não tiram fotos de drogados, dos sem-abrigo e bairros degradados das cidades europeias em que vivem para mostrar ao mundo. Quanta ignomínia! Quanta vassalagem! Quanta falta de amor-próprio! Quanta cobardia! Quanto a mim, esses feiticeiros lunáticos e indolentes ficariam bem ao lado de Carlos Gorgulho, Zé Mulato, Lúcifer, Édipo ou Judas.
Quando se fala de aquisição de conhecimento, os xinbotos gabirus pensam que só se devem aprender e conhecer coisas ou pessoas relacionadas com os países, ditos avançados ou estrangeiros, ignorando os valores culturais e as pessoas (familiares, amigos e os compatriotas) que os rodeiam. Esta ideia não só é errada como é enganadora. Nem sequer é mais importante ou primordial saber coisas sobre os outros. Se não nos conhecermos, conhecermos a nossa história, a nossa geografia, a nossa cultura, as nossas línguas, nunca poderemos desenvolver competências próprias, nem sequer explorar os nossos recursos ou desenvolver o nosso país. Se repararem bem, podem colocar a vós mesmos as seguintes questões: Mas porque diabo interessa a um forro saber quem é a marafona Madonna ou a catraia Pamela? Quanto ganha um forro ter que aprender sobre o paneleiro Elton John ou quem foi o drogado Elvis ou o tarado Luís de Camões ou o cruel Napoleão? Nada! Tudo o que os antigos estudantes e imigrantes conseguiram transportar para STP são imundices, vícios nojentos e muitas doenças infecciosas. Pelos vistos, estes são os contributos que a preocupação em saber quem são os outros sem sequer nos conhecer a nós mesmos tem dado à nossa sociedade. É preciso saber dizer “não, obrigado”.
[CONTINUA VUGUVUGU II (Plejidu)]
Doutor M. FodeBudu
zuzupacu actualizou esta mensagem no dia 06/01/2007 15h18.
Ainda tentei ficar indiferente após leitura da Introdução à “VUGUVUGO E XINBOTO (I)”; porém, confesso-lhe que não fui capaz. Quem fala assim não pode ser gago. Força!
Num dos seus artigos, o Sr. Dr. escrevera – em resposta a um dos membros – do “paradoxo” de ser-se são-tomense. Ou seja, que muitos de nós – em abono da verdade – não o sabemos definir. Digo-lhe mais, este tem sido uma das minhas tarefas diárias há mais de uma dúzia de anos... Na verdade, muitos comentários aqui depositados - neste fórum - retratam claramente a nossa “indefinição nacional”. Fazemos uma mistura de tudo, opinamos simplesmente para engrandecer, ainda mais, a nossa “ximbotisse”, as críticas para nós nada mais são senão provocações, etc., etc. Não olvidem!
Bom, antes das perguntas, um pedido: que deixasse um tempo (de reflexão) entre os “VUGUVUGOS”. O porquê é óbvio!
1 - Porque razão (ou razões) se deve – desde sua observação – as perdidas das característica do Homem forro?
2 – Que argumentos salienta o Sr. Dr. para que hoje, em tempo chamado de “globalização” se consiga manter - de uma forma geral - os valores explanados?
Obrigado pelo voto de boas entradas neste ano de 2007. Reciprocamente, desejo-lhe um 2007 melhor do que 2006 e cheio de surpresas agradáveis.
As questões que me coloca são bastante pertinentes. No que concerne à primeira, respeitante às razões que conduziram o Homem forro à perda das suas características (suponho originais), a minha resposta é que as causas desse mal residem na própria origem do Estado São-Tomense e na sua governação como estado soberano. A percepção que tenho – e julgo que ela é fiel aos factos – é de que, desde a tomada da Independência em 12 de Julho de 1975 até os dias de hoje, o país tem sido governado como um rebanho de ovelhas a cargo de pastores negligentes, sem rumo. Nestas condições, as ovelhas pastam onde lhes convém, e os pastores acabam por não conseguir reunir os animais conforme a ordem inicial do rebanho. Repare que, para que o rebanho paste convenientemente e se sinta protegido das feras, caçadores furtivos e/ou ladrões, é necessário que os pastores sejam competentes. E na minha óptica, a competência de um pastor está relacionada com o facto de este ter uma ideia bem formada sobre o rebanho, os campos de pastagem, os perigos iminentes, etc., etc. Para além disso, não basta que os pastores tenham a ideia na sua cabeça; é também fundamental que eles saibam implementar a ideia, ou seja, eles têm que saber aplicar o conhecimento que possuem na devida orientação do rebanho, sem o perder de vista, nem o deixar pastar à margem da ordem ideal.
Mas o que quererá dizer este palavreado todo, no contexto da questão colocada acima? Quererá dizer que os forros (o rebanho) perderam muitas das suas características porque os seus dirigentes (pastores) nunca estiveram à altura das suas responsabilidades: desconhecem por completo o povo que governam (cá está, o rebanho); desconhecem o país, os seus recursos, valores, etc. (cá está, os locais de pastagem, os perigos iminentes, etc.); e além disso, também estão como um barco à deriva (desorientados). A orientação de um governante ou de um estado é a ideologia desse governante ou estado. STP nunca teve uma ideologia. Como é possível governar-se um povo sem uma ideologia? Ao longo das últimas três décadas, o que se tem feito é imitar ideologias (comunismo, democracia, multipartidarismo, semi-presidencialismo, etc., etc.), sem sequer ter-se um entendimento cabal de nenhuma delas, sem sequer saber-se até que ponto elas se adequam à nossa realidade, às nossas necessidades. Tudo o que precisamos é uma ideologia própria. Não é necessário que seja uma ideologia genuína nossa. Alias, hoje em dia não existem ideologias genuínas. Mas uma ideologia pensada e compreendida por nós e que reflicta os nossos valores, a nossa orientação como estado e a nossa estratégia de desenvolvimento. Repare que a China é um estado coeso porque tem uma ideologia! OS EUA são um estado coeso porque têm uma ideologia!...A ideologia de um estado é o seu bilhete de identidade. Um estado com uma boa ideologia, uma ideologia que reflicta os seus interesses, é um estado que tem todas as chances de preservar os seus valores por muito e muito tempo.
Relativamente à segunda questão que me coloca, respeitante aos argumentos que tenho para sustentar a preservação da identidade forra, no contexto da Globalização, a minha resposta é, simplesmente, “ tenho muitos.” E passo a enumerar alguns. Começando pela própria definição do próprio conceito, Globalização tem sido entendida como sendo a atitude de “pensar local e agir global”. Isto significa que se devem produzir conhecimentos a nível local e usar ou aplicá-los globalmente. Esta ideia tem um sentido prático interessante, que indica que o conhecimento produzido a nível local é um “produto” de elevado valor acrescentado! A globalização é um mercado; um mercado em que se “vendem” coisas produzidas a nível regional ou local; não é um mercado para “vender produtos” que todos já produzimos. Por outras palavras, os “produtos nacionais” são os únicos produtos que têm saída no mercado da Globalização, porque são únicos. Com certeza, se todos os países entenderem a globalização como STP entende, o conceito em si perde interesse. É como se se tratasse de um mercado em que todos vendemos as mesmas coisas, com as mesmas qualidades, com a mesma imagem de marca. Não é isso que é pretendido no mercado da Globalização. O que é pretendido é que cada um ”venda globalmente as coisas que produz localmente.” Os pequenos estados insulares, como o nosso, só alcançarão vantagens competitivas no mercado da Globalização se, efectivamente, produzirem conhecimentos, artefactos, obras de arte, etc., únicos, que só eles dominam. De outro jeito, não seremos capazes de resistir às agressividades deste mercado, que é liderado por potências gigantes, poderosas e muito mais avançadas do que nós.
Ora, “pensar local, agir global” não é mais nem menos desenvolver competências próprias, ter uma filosofia própria e única, fornecer produtos únicos e raros, possíveis de serem exportados e vendidos a bom preço, porque só nós possuímos a filosofia para os conceber. Por exemplo: no passado, demos provas que a nossa música tradicional, devidamente interpretada, tem saída nos mercados dos PALOP’s...se isso fosse devidamente estudado e instituído, certamente que teria mais saída do que já teve. Agora, suponhamos que todos falamos a mesma língua e interpretamos o mesmo estilo. Certamente que as nossas chances de sucesso seriam menores. Um turista quando visita um determinado lugar, espera encontrar sabores, música, arte, etc., que não encontra no seu país. Para ele, aprender a saudar numa língua diferente, ouvir outro sotaque, ou mesmo assistir a um espectáculo local, um ritual local, etc., é algo que lhe dá prazer e o motivo por que está disposto a pagar um bom preço. Cá está, estamos a falar de produtos pensados localmente e vendidos globalmente.
É possível arranjar muitos mais exemplos para ilustrar o facto de que ter valores próprios, longe de ser uma desvantagem no mercado global, é um factor de vantagem competitiva e um produto de elevado valor acrescentado, no mercado da Globalização.
Espero ter sido objectivo na minha explanação. Obrigado pela leitura.
Doutor M. FodeBudu.
zuzupacu actualizou esta mensagem no dia 01/01/2007 21h21.
Sim, não apenas respondeu como, por outro ainda, foi explícito. Mas, quanto a segunda questão: é minha opinião pessoal conter demasiada teoria uma vez que a prática nos tem oferecido resultados opostos. Porém, para não bipolarizar este importantíssimo tema, deixo o espaço a merce dos demais santolas que, julgo, depois de ler e interiorizar o "Vuguvugu I (xinboto)" encontraram bons frutos por ele deitado a baixo ou, ainda, certos indícios de "ximbotisses" em si.
De facto, Esterline, é sua opinião pessoal que o "VUGUVUGU I (xinboto)" contenha em si indícios de xinbotices ou até tenha deitado bons frutos abaixo. Quanto a isso, acho que não devo comentar, pois é uma questão de gosto pessoal, e gostos não se discutem. Mas, a propósito do tema da Globalização, permita-me que lhe diga que se trata de uma questão que carece de uma abordagem muito cuidada, pois é algo bastante sensível e contém muitas subtilezas. Pela experiência que tenho na matéria, decorrente do meu percurso académico e profissional, é quase impossível obter-se consenso quando se discute o assunto, pois as opiniões variam conforme os interesses particulares de cada estado, país ou região. Mas de uma coisa tenho a certeza: a Globalização é um conceito inventado pelo capitalismo-imperialismo, e, obviamente, não foi inventado para beneficiar os países menos desenvolvidos. Daí a divergência na própria interpretação do conceito.
Penso, entretanto, que a opinião que apresentei, em resposta às questões que me colocou, é a mais adequada para a nossa realidade. No entanto, gostaria que me apresentasse argumentos, exemplos ou resultados práticos que provem que a Globalização, conforme é entendida por si, é vantajosa para nós, ou, equivalentemente, que provem que a Globalização, conforme entendo, é prejudicial a STP.
Abraço.
Doutor M. FodeBudu.
zuzupacu actualizou esta mensagem no dia 06/01/2007 15h19.