A educação constitui um dos pilares imprescindíveis do desenvolvimento. Os indivíduos só podem contribuir para o desenvolvimento e tirar beneficio dele, se estiverem dotados de saber, competências, valores, capacidades e direitos que lhes permitam obter os seus meios de subsistência. Uma educação de qualidade beneficia e permite dar autonomia não somente ao indivíduo mas igualmente à sociedade no seu todo.
No nosso país tem se verificado um esforço cada vez maior na qualificação das pessoas por um lado mas, por outro, existe um sub aproveitamento de quadros já existentes. Anualmente são enviados para o exterior dezenas de estudantes para serem formados. No entanto, após o fim da formação vários são aqueles que permanecem no país de acolhimento e adiam o retorno ao país de origem.
São diversos os factores que explicam esse fenómeno alarmante de “fuga de quadros”.
O primeiro deles está relacionado com às baixas oportunidades de inserção profissional em S.T.P onde a taxa de desemprego ronda os 16% e verifica-se uma predominância do emprego público em detrimento do emprego privado. Sendo assim, existe grande competição para a apropriação de um lugar importante na função pública o que faz com que os recém formados optam por não regressar às ilhas porque temem não conseguir um emprego do sector público ou serem mal recebidos porque têm habilitações que os outros não têm.
Por outro lado, dado o baixo valor do subsídio que o Estado atribui aos estudantes no exterior, a maioria destes tem que exercer uma actividade profissional de modo a fazer face às despesas do curso e ao elevado custo de vida nesses países. Após a formação estes estudantes, porque não sabem o que os esperam em S.T.P, preferem continuar a exercer tais actividades que infelizmente se enquadram na sua maioria nos sectores não qualificados do mercado de trabalho e nada está relacionado com a sua área de formação.
Outro elemento importante é o facto de durante a estadia dos estudantes no exterior, estes habituarem-se a viver com um mínimo de comodidades mínimas (luz, agua...) que em S.T.P não estão garantidas. Temem abandonar esse conforto mínimo que têm nesses países e se confrontarem na sua terra natal com situações como ter que morar em casa de familiares ou ter que “jantar à luz das velas”, por exemplo.
De salientar ainda que os recém formados não sabem o que os esperam em S.T.P, ou seja, após vários anos de ausência têm ideias erradas da real situação do país que se explica pelo défice de informações disponíveis, sobretudo no que se refere às condições do mercado de trabalho e de alojamento.
O facto dos alunos fazerem um percurso escolar tão longo pode também contribuir que estes acabem por criar laços familiares no país de acolhimento, o que constitui outra forte barreira ao retorno.
Dados todos esses factores os formados sentem-se mais integrados no país de acolhimento do que no país de origem, o que faz com que adiem o “regresso à casa”.
Perante todo esse cenário há que criar politicas que visem contrariar essa tendência. Não interessa gastar imensos recursos na formação de estudantes, para que estes após o término da formação estabeleçam nos países de acolhimento.
Tendo em conta as características sociais e demográficas do país (em que cerca de 70% da população é jovem), há que, sem dúvidas, continuar a apostar e a investir na educação e na formação mas é também urgente criar políticas de incentivo ao retorno de quadros ao país. Só desta forma, os esforços colocados até então nas políticas de educação e de qualificação de pessoas poderão ter resultados positivos e constituir uma mais valia para o desenvolvimento de S.T.P.
É necessário incentivar os quadros e mobilizá-los para a criação do auto-emprego e do emprego privado em S.T.P. É preciso disponibilizar informações (real situação do mercado de trabalho, condições de alojamento) para que estes possam se inteirar numa realidade que, devidos os anos de ausência, se tornou estranha.
É preciso mobilizar os quadros são-tomenses espalhados pelo mundo de modo que, fazendo uso dos saberes e conhecimentos adquiridos, possam ser autênticos promotores do desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.
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